
Toda a gente sabe que o preço dos bilhetes para o concerto dos Rolling Stones de Junho passado atingiu valores escandalosos (entre 69 € e 142 €), à semelhança do último concerto dos U2 em que o bilhete mais barato custava a módica quantia de 54 €. Parece que esta tendência se vai manter com o concerto dos The Police, em Setembro, no Estádio Nacional com o bilhete mais acessível a custar uns tão somente 55 €. Ainda não tinha trazido este assunto à baila porque, apesar de achar escandaloso os valores praticados, entendia que ia apenas quem queria. Como muita gente também dei 69 € para poder assistir ao concerto. Pensava eu (e a promotora) que os bilhetes se venderiam num ápice e mal foram colocados à venda comprei o meu com receio que pudesse esgotar. Não foi de ânimo leve que paguei aquele valor mas pensei: gosto dos Stones o suficiente para fazer este sacrifício, ainda para mais quando nunca os tinha visto aos vivo. A perspectiva de não voltar mais a vê-los pesou também na minha decisão.
Da parte da Ritmos e Blues, empresa promotora destes concertos, alguém terá confessado o pouco interesse em relação à realização dos grandes festivais de Verão, apesar de em tempos ter realizado o festival da Ilha do Ermal. A principal razão prendia-se com o facto de o mercado estar saturado e não pretender regressar a este tipo de eventos para perder dinheiro. Por esta lógica também não haveria mercado para a realização do Alive, o mais recente dos grandes festivais realizados que acabou por ser um sucesso, tendo já data marcada para próximo ano. O festival Delta Tejo, embora de menor dimensão, também não se saiu nada mal na sua primeira edição. O pouco interesse manifestado pela Ritmos e Blues pelo formato dos festivais leva a concluir que prefere os grandes concertos onde pode trazer artistas que não fazem a festa por menos e, de forma prepotente, dar-se ao luxo de cobrar valores exorbitantes pelos bilhetes, dando a entender que o que não é capaz de ganhar de uma forma, procura fazê-lo doutra. Infelizmente esta promotora parece não estar muito preocupada com o espectáculo e porquê? Em relação ao concerto dos Stones seria preferível pedir menos pelos bilhetes (entre 45 € e 90 € por exemplo) e ter o estádio esgotado. Mas saiu-lhe o " tiro pela culatra " porque ao contrário do esperado a lotação do concerto esteve longe de esgotar. Ou estaria a Ritmos e Blues à espera que o concerto dos Stones em Alvalade esgotasse facilmente para uma banda que recentemente actuou no nosso país por duas vezes. A postura arrogante da parte da promotora ao pensar que seria fácil esgotar um concerto fosse qual fosse o valor pedido pelos bilhetes voltou a repetir-se agora em relação os The Police. Já para não falar no preço dos mesmos, começaram por ser colocados à venda exclusivamente nos balcões das agências do Barclays, sem grandes resultados. Finalmente ficaram disponíveis para venda nas agências.
Voltando ao início... recentemente li que os bilhetes para o concerto dos Stones foram colocados à venda a metade do preço para evitar que o Estádio de Alvalade estivesse a meio gás. Mesmo assim não estiveram mais de 30.000 pessoas em Alvalade, longe dos 50.000 bilhetes colocados à venda. Para quem pagou 69 € (no mínimo) pelo bilhete custa a aceitar que o mesmo esteja à venda pouco tempo antes do concerto a metade do preço. Este escândalo deve ser denunciado para que a Ritmos e Blues não faça o que bem entenda. Posso perder o concerto dos The Police mas, da minha parte, não vai nem mais um cêntimo para esta promotora de duvidosa credibilidade.