
Pessoalmente as primeiras recordações que tenho dos Xutos remontam a este álbum que marcou a minha juventude. Tudo o que fiquei a conhecer do período anterior a Circo de Feras fui descobrindo mais tarde. Lembro-me quando um amigo meu me telefonou a dar-me a boa nova: tinha saído um grande álbum rock em português. Não foi o primeiro, mas certamente um dos primeiros LP que pedi aos meus pais. Até aqui tinha de contentar-me com compilações, só assim podia ter acesso a música variada pelo mesmo preço de um álbum original. De vez em quando enchia-me de coragem e lá pedia um LP. Apesar do início pop, já me tinha aventurado com Born In The USA de Bruce Springsteen ou Slippery When Wet dos Bon Jovi. Aos poucos o rock tinha mais um adepto.
Voltando a Circo de Feras... temas como Contentores, Não Sou o Único, N`América ou Circo de Feras tornaram-se êxitos imediatos. O rock era directo e contagiante como se quer. As músicas transbordavam energia e as letras falavam de evasão e liberdade, numa atmosfera muito próxima de Estou Além de Variações: " estou bem aonde não estou... só quero ir aonde não vou ". O Os portugueses renderam-se aos Xutos, mesmo aqueles que não estavam tão familiarizados com o género. Era frequente ouvir-se cantarolar as letras das músicas mais conhecidas. Circo de Feras marcou uma geração com uma liguangem (embora intemporal) muito próxima da juventude urbana portuguesa de meados de 80. Para além dos temas mencionados, fizeram parte deste autêntico álbum " best of " outras tantas pérolas que, referi-las, seria revelar na totalidade esta obra-prima do rock português.
Como terá sido possível tornar um álbum de apenas nove faixas num colosso da música portuguesa? Mérito da banda? - Certamente! Alguma sorte? Provavelmente, embora inteiramente merecida! Igualmente determinante foi a melhoria das condições de trabalho devido ao contrato assinado com a Polygram e a produção de Carlos Maria Trindade, um dos mais experientes teclistas portugueses, com provas dadas nos Heróis do Mar e Madredeus. A sua contribuição permitiu limar algumas arestas da sonoridade típica dos Xutos, de forma a apresentar um rock mais polido e abrangente (ou seja, mainstream), sem no entanto perder identidade.
Enquanto o concerto não chega deixo-vos com um dos grandes clássicos de Circo de Feras, o single N`América, ao vivo em 1988, num dos momentos altos da digressão que decorreu ao longo de 4 meses e cujo resultado se saldou em 60 concertos e 240.000 espectadores! Palavras para quê...

- Contentores
- Sai P`rá Rua
- Pensão
- Desemprego
- Esta Cidade
- Não Sou o Único
- N`América
- Vida Malvada
- Circo de Feras
3 comentários:
OS XUTOS FORAM SÃO E SERÃO UM MARCO NA MUSICA PORTUGUESA, DEVEMOS MUITO A ESTES SENHORES E ELES SÃO ESTILO OS ROLLING STONES NACIONAIS, QUANTO MAIS VELHOS , MELHORES! UM GRANDE ABRAÇO
sim este disco representa algo semelhante ao do Rui Veloso. Depois da queda do boom, foi o CIrco de Feras que deu uma nova vida na musica portuguesa. Foi o interruptor para o que existe hoje.
Os Xutos são uma das maiortes bandas de Portugal e com este album deixaram de ser de uma minoria para serem de nós todos.
Sao uma das minhas bandas favoritas, uma das que soube sempre fazer grandes temas.
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